Os atos e principalmente, as fanfarronices, têm de ter consequências.
Quando Sérgio Conceição disse que não era uma reunião que ia decidir o seu futuro, tinha parcialmente razão. Ou seja, o seu futuro dependia inteiramente de si, mas apenas no caso de querer sair.
Por isso, ao dizer o que disse, a conclusão óbvia que se retirava, era a de que pretendia sair.
Sem prejuízo disso, ainda antes, mas principalmente após essa afirmação, a direção tinha toda a legitimidade para decidir quem queria para treinador.
Aparentemente o escolhido terá sido Vítor Bruno e entrou em contacto com este.
Com uma reunião marcada com Sérgio Conceição para estudar o seu futuro, faria sentido ser o próprio Vítor Bruno a comunicar ao seu chefe de equipa que o iria substituir?
Retiraria qualquer efeito prático a essa reunião, além de que, por esta altura, as queixas seriam de que Villas-Boas teria desrespeitado Sérgio Conceição, por não ser ele próprio a comunicar o decidido e a deixar essa tarefa para um subalterno.
Por outro lado, se a entidade patronal de Sérgio Conceição é o FC Porto, não deveria ser este, nomeadamente na pessoa do seu presidente, a comunicar-lhe a decisão?
Vítor Bruno estava ética e moralmente obrigado a informar Sérgio Conceição de que a entidade patronal dele, que também é a sua, não contava consigo, como pretendem Figueiredo, a restante equipa de adjuntos e os familiares de Conceição, quando estava marcada uma reunião onde esse assunto seria discutido?
Até acho bastante provável e natural que lhe tenham pedido para não o fazer, colocando-o dessa forma, numa posição bastante ingrata.
A exigência de Figueiredo e dos restantes, ao colocarem a lealdade de Vítor Bruno para com Sérgio Conceição, acima daquela que deve e que eles também devem à entidade patronal que lhes paga, e que é a mesma, apenas demonstra o mesmo desrespeito por essa entidade patronal, neste caso na pessoa de Villas-Boas, que a representa, que Sérgio Conceição mostrou pelo então recém eleito presidente, ao tratá-lo, de certeza que não somente por uma questão de familiaridade, por André.