Azul ao Sul

Sobre o Renzo Saravia...

Há muito tempo que não escrevia em mais de 200 caracteres de cada vez. Mas desta vez, não me apeteceu fazer uma thread, por isso resolvi sair do Twitter por um instante.

 

Outra vez vejo jogar o Renzo Saravia, e mais uma vez dou por mim a tentar lembrar-me de laterais-direitos argentinos que jogassem por fora, a dar largura junto à linha. E de novo, sem êxito.

 

Recuei até à selecção campeã de 78, e ao Olguin, e de memória, avancei a partir daí.

 

Sinceramente, não me recordo. Vêm-me à cabeça o Sensini e o Zanetti, mas nenhum desses dois era um típico lateral-direito.

 

Os laterais-direitos argentinos de que me lembro, ou eram centrais adaptados, ou eram essencialmente, defesas-direitos tout court, muitas vezes, nomeadamente com o Carlos Bilardo, em esquemas de três centrais.

 

A escola dos laterais que sobem no terreno e que quase se transformam em extremos, é a brasileira, e não a argentina. Carlos Alberto, Cafú, Maicon, o Daniel Alves, dos primeiros tempos...

 

O primeiro exemplo de que me recordo, mais parecido com este estilo de laterais/defesas, é a Itália de 82, quando Enzo Bearzot lançou como defesa-direito um jovem de nome Bergomi. Era um marcador férreo, e raramente subia pelo flanco.

 

Na prática, eram dois defesas de marcação, um libero, e o Cabrini, mais liberto para dar uma ajuda para diante.

 

O Saravia, não sendo propriamente, ou exclusivamente, um defesa-direito, pois tal como o Zanetti ou o Sensini, tem muito mais tendência para pegar na bola, e meter-se para o meio, do que para progredir pela linha à procura de espaço para o centro.

 

Pior, tal como aconteceu com o Maxi Pereira no tempo do Lopetegui, também agora com o Sérgio Conceição, a ideia de jogo passa por os extremos se transformarem em interiores, e serem os laterais a dar amplitude à frente de ataque.

 

Ora, tanto no caso do Maxi, como agora no do Saravia (e acrescente-se, já agora, no do Tomás Esteves), a sua natureza leva(va)-os a meterem-se para dentro, e não a atacarem por fora.

 

Dito isto, dificilmente o Saravia, mesmo como titular da selecção argentina, chegaria cá e seria de caras titularíssimo. 

 

Há com certeza, todo um percurso futebolístico, pessoal e cultural, que implica o desenvolvimento de um trabalho prévio de adaptação ao que lhe é solicitado.

 

E quero acreditar que se foi contratado, terá sido porque lhe viram capacidade para se adaptar a esta nova realidade.

 

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