Bem, na realidade, não, não é. Terá a sua quota parte, até bastante avantajada, de responsabilidade, mas, nem tudo é culpa de Lopetegui. Essencialmente, o seu maior pecado é ser um arrogante de merda. Mas quanto a isso, não é defeito, é feitio, portanto, estamos conversados. Esta condição, combinada com uma dose de orgulho e amor próprio desmesurados, de origem incerta, mas certamente, espero, que não em função do sucesso profissional, e muito mais do ADN basco, tornam o acto de aprendizagem uma impossibilidade genérica. Como aprender, se não há ninguém num nível superior a quem colher ensinamentos? Como aprender com os erros, se não há erros? Se por arrogância, orgulho, soberba, enfim, estupidez, se é incapaz de admitir sequer a sua existência? É complicado. Mas foi isto que Lopetegui, com o coro de muito portista, mostrou no seu período azul-e-branco. E com uma agravante: foi por tudo isto que, desde a primeira hora, os seus interesses sempre estiveram à frente dos da instituição que o acolheu, e que merecia outro tipo de respeito. É inegável que Lopetegui tem algumas ideias do que é o futebol, e do que pretendia para a equipa. Isso é evidente na transição táctica da primeira para a segunda temporadas, e na primeira temporada, entre os jogos domésticos e os europeus. O problema com que se debateu Lopetegui - e, não mudando de atitude - irá continuar a debater-se, será o não ter a mais pálida ideia de como pôr em prática aquilo que pretende. Consta que é fã de Guardiola e do jogo de posse. Se nos basearmos, por exemplo, nos jogos da pré-eliminatoória com o Lille, ou com o Stoke, na pré-época, ou contra o Vitória de Setúbal, que referi no texto..., isso parece indesmentível. As percentagens de posse de bola, também elas ajudam a corroborar esse dado. Contudo, se é fã de Guardiola, ou, lá está, a sua arrogância, o seu orgulho, tê-lo-ão levado a crer já saber o que havia para saber, ou não teve paciência para ler mais que o primeiro capítulo da história. Para Lopetegui, tal como para Guardiola, a construção de jogo da equipa depende substancialmente da capacidade de projecção ofensiva dos defesas-laterais. Contudo, ao passo que com o catalão, no capítulo seguinte, os laterais (Lahm, Rainha ou Alaba), se transformaram ou num duplo pivot ou num terceiro defesa-central duma defesa a três, com Lopetegui tudo permaneceu inalterado. Se na primeira temporada, com homens como Danilo ou Alex Sandro nas laterais, a cosa ainda passava, dependendo da capacidade dos dois extremos "puros": Tello e Quaresma, interpretarem o que lhes era pedido, na segunda época, dificilmente resultaria. Porquê? Porque pretender fazer de Quaresma e de Tello, dois homens de jogo interior, seria completamente contra natura. Quaresma não ficou por cá sequer para tentar, e o rendimento de Tello, quando comparado com o da temporada anterior, foi o que se viu. Também contra natura, como é fácil de perceber, é querer fazer de homens como Maxi Pereira e Layun, Danilo e Alex Sandro.
#todoesculpadelopetegui
Publicado 22-07-2016
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