Azul ao Sul

Tá ilusão em monte, mó!

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(imagem retirada de Portista@FCPortoWorld)


 


Um casal de macacos empoleirado num ramo duma árvore, contempla defronte de si os escombros da Terra destruída por um holocausto nuclear.


 


Num suspiro, o macaco murmura para a macaca: "Querida, vamos ter de começar tudo de novo".


 


Imagino que, nos dias que correm, seja mais ou menos isto que sente o Lopetegui. Com a diferença que os macacos, talvez ainda se divirtam alguma coisa no processo. O Lopetegui, tenho as minhas dúvidas.


 


Tudo somado, saíram sete " titulares" da equipa da época passada. Saiu o guarda-redes. Saíram os dois defesas-laterais, e saíram ainda dois médios e dois avançados.


 


O Fabiano e o Quaresma terão sido "dispensados". O Casemiro e o Óliver, terminados os seus empréstimos, regressaram aos seus clubes de origem.


 


Dentro daquela que é a politica de gestão de activos e de equilíbrio financeiro da SAD, a saída do Jackson Martinez terá ficado apalavrada aquando da renovação de contrato. E é feio faltar ao prometido.


 


A venda do Danilo foi consumada em Janeiro, e a do Alex Sandro, por 26 milhões mais objectivos, tendo em conta a propalada recusa anterior de uma proposta de 30 milhões, parece que seria uma inevitabilidade.


 


Aliás, todas estas saídas pareceram inevitáveis. Assim sendo, pergunto: como é que se consegue descortinar aqui, um projecto a três anos?


 


Recordo que esse era um dos argumentos utilizados para pedir calma, e justificar os resultados da temporada transacta, ou a falta deles: estávamos apenas na primeira etapa de um projecto a três anos.


 


Em que raio de projecto a três, ao fim do primeiro, uma porção considerável dos recursos existentes está com guia de marcha?


 


No inicio e durante uma boa parte da minha carreira profissional, analisei projectos de formação profissional. Na universidade estudei análise de projectos e investimentos, mas muito sinceramente, não estou a ver. Têm a palavra os engenheiros.


 


Sejamos francos, no futebol português em geral, e no FC Porto em particular, não são sustentáveis projectos. Quanto mais projectos a médio prazo, de três anos...


 


É, ir sobrevivendo dia-a-dia, e tentar alcançar os melhores resultados desportivos possíveis, ou entaão, em alternativa, encontrar uma, ou várias, boas desculpas para quando tal não é possível.


 


A não ser que se esteja a confundir o projecto com a duração do contrato do treinador. Se é isso, então tenho cá para mim que nesse caso, o projecto não é outro senão a valorização do próprio treinador.


 


E depois? Não é um activo do clube, tal como os jogadores? Sim, é verdade. A questão é que, a ser assim, em termos de projecto, não será pouco ambicioso para o clube subordinar-se a esse propósito, e colher o que vier por acréscimo, como efeito colateral?


 


Renasceremos, é claro que sim, como sempre fomos capazes de fazer. Mas, por favor, não nos iludamos com projectos.

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