"Quando foi criado, em 2009, o Benfica Stars Fund valia 40 milhões de euros, divididos em 8 milhões de unidades de participação. A PT Prestações, através da Ongoing, comprou 2 milhões de «acções», por 10 milhões de euros. Hoje, cada unidade de participação vale 3,6 euros. E o valor líquido do fundo é de 29,4 milhões.
Não é uma surpresa. O próprio Benfica Stars Fund define o «perfil do investidor a que se dirige»: «Considerando os riscos inerentes, o Fundo adequa-se a investidores com (...) um perfil de investimento agressivo. Será esse o caso da PT Prestações, equiparado a um fundo de pensões. A PT não comenta.
Entre os «activos» do fundo estão jogadores como Cardozo e Gaitán. E outros, como Coentrão, Jávi Garcia e David Luís já vendidos. Mas jogadores como Schaffer já obrigaram ao registo de «imparidades». Outros, como Alan Kardec, Felipe Menezes, Yartey e Urretavizcaia são, até ver, maus negócios. O relatório e contas do fundo regista mais de 12 milhões em «menos-valias». Em síntese: os 20 jogadores do fundo custaram 32 milhões, e no último relatório de contas valiam 19,6.
A Ongoing garante que este não é o único investimento realizado pelo Fundo F e que a rentabilidade dos outros cobre as perdas registadas no Benfica Stars Fund. Mas a única coisa que se sabe é que outro investimento do Fundo F é uma carteira de acções, superior a 2 milhões de euros, da Impresa e da Cofina, cujos títulos desvalorizaram muito desde 2009. Mas têm uma coisa em comum com o Fundo de jogadores do Benfica: são investimentos na esfera de interesses de Nuno Vasconcellos [Ongoing].
Muito menos evidente é o interesse nestas aplicações dos reformados da PT..."
(excerto do livro "Jogos de Poder", de Paulo Pena, A Esfera dos Livros, 2014, págs. 92 e 93)
Coinciência ou talvez não, o homem que negociou os milhões do patrocínio da PT aos três grandes, e que por conta disso lhe foi outorgado um Dragão de Ouro a par de uma sentida carta de despedida de Luís Filipe Vieira, e que com Emídio Rangel, no início da guerra com a Sport TV, foi um dos potenciais compradores dos direitos de transmissão televisiva, hoje na posse da BTV, era o responsável pelo pelouro dos cuidados de saúde da PT.
http://bussola.blogs.sapo.pt/111648.html
De acordo com o Regulamento de gestão do fundo, disponível na CMVM, a entidade gestora do fundo é a ESAF - Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliário, S.A..
Para além de investir em direitos económicos relativos a atletas, poderia investir "até 20% do seu activo total:
a) Em liquidez e instrumentos do mercado monetário (...);
b) Em organismos de investimento colectivo de valores mobiliários (...);
c) Em instrumentos financeiros derivados.
http://web3.cmvm.pt/sdi2004/fundos/docs/1201RG20090930.pdf
No entanto, nos termos do regulamento, aquele limite poderia ser excedido, desde que reinvestido ou redistribuido pelos participantes, de tal forma que segundo o primeiro comunicado emitido em 30 de setembro de 2009, o valor dos direitos económicos alienados era apenas de 22.025 milhões de euros.
Se o valor do fundo era de 40 milhões, e se a componente de direitos económicos era de cerca de 55% do activo total, de onde é que veio o restante?
E onde é que a Ongoing vai buscar o capital para investir?
Na obra mencionada é dado um exemplo:
"Em fundos de private equity, no Luxemburgo, o maior offshore da zona euro, Vasconcellos e o seu grupo geriam perto de 300 milhões que lhes foram confiados, em 2008 e 2009, pelo GES, pela PT e pelo Montepio.
Entre os dias 3 de Novembro e 15 de Dezembro de 2008, logo a seguir à nacionalização do BPN, João Borralho, pelo BES Vida, e João Zorro, pelo Espírito Santo Activos Finaceiro Premium, entregam à Ongoing Internacional, com sede no número 11 da Rue Aldringen, no Luxemburgo, 150 milhões de euros. Este dinheiro, de duas empresas do grupo GES, constitui o sub-fundo private equity classe E (Fundo E, doravante), detido a 100% por aquelas duas empresas do universo BES. Ou seja, a ESAF e o BES Vida são os accionistas únicos do fundo. Mas quem o gere é a Ongoing International Partners, com sede no número 23 da Avenue Monterey, cidade do Luxemburgo. (...) este fundo investia em derivados, como os CDO Panther. Mas não se ficava por aqui...
O grupo Espírito Santo deu dinheiro à Ongoing para investir em negócios seus: dois terrenos, à espera de licenciamento para construção."