(foto daqui)
Quem é que, há duas semanas atrás, acreditava que iriamos ao Estádio da Lucy, em primeiro lugar, em igualdade de pontos com o então primeiro classificado, e agora segundo? Ponham a mão no ar!
Pois é. Bem me parecia que seriam poucos os optimistas incorrigiveis, ou os incorrigivelmente optimistas.
Confesso que não acreditava em tal. A dois pontinhos, ainda vá que não vá, mas empatados?! Nem por isso.
Não tanto por nós, dados os adversários que iriamos defrontar até lá, mas, fundamentalmente, porque me custava, e ainda custa a crer, que a tal equipa que ia na dianteira naquela altura, perderia cinco pontos em dois jogos.
É claro que o futebol é isto. Mas depois de ver as nomeações de árbitros para a 20.ª jornada, ainda menos tal me ocorria. E no entanto, o Hugo Miguel, que não me inspirava qualquer tipo de confiança, ainda terá perdoado um penálti à Académica, enquanto o João “pode vir o João” Ferreira, não teve dúvidas em assinalar um a nosso favor, e expulsar o adversário que o cometeu.
Podem achar estranha esta referência aqui, mas faço-a apenas para frisar que, ultimamente, tem sido quase sempre ao contrário. Vejam-se, o Bruno Paixão em Barcelos, ou o Paulo Baptista, no jogo contra o Setúbal, só para falar dos mais recentes.
Ou muito me engano ou, nos próximos tempos, este penálti irá ser muito mais falado que os três assinalados pelo Duarte Gomes.
Bem, esta semana vai ser mais curta, pois vou ter ainda menos tempo para escrever do que é hábito. Assim sendo, quero aproveitar para deixar aqui uma nota de elogio ao Maicon. Grande golo, a coroar uma exibição em linha com o que vem fazendo, quer a defesa-lateral, quer no seu habitat natural.
Hoje por hoje, merecia ser eleito o líder daquele sector recuado, e ser promovido a titular indiscutível, de preferência ao centro.
Para além disso, quero aproveitar estes momentos que antecedem o embate da próxima sexta-feira, certamente para gáudio dos benfiquistas que por aqui saltitam de vez em quando, e que devem estar a estranhar a relativa ausência de referências ao seu clube, para lembrar que a nossa vitória na próxima sexta-feira, como, de resto, todas as outras, não serão apenas mais três pontos, pois a nossa luta vai bem para além disso.
Saiu no “Público” de Domingo um artigo sobre a Ongoing intitulado: "Seis anos depois o grupo de Vasconcellos e Mora entrou em declínio".
“O que é que isto tem a ver com futebol em geral, e com o FC Porto, em particular?” – perguntarão talvez.
Muito pouco, mas alguma coisa.
A Ongoing, antes de se saber que andava envolvida em casos de espiões, secretas e aventais, foi (é) um dos principais investidores no famoso "...ica Star Fund", tendo subscrito 50% das acções do mesmo.
Outro dos investidores de peso, como se pode ler na notícia anterior, terá sido o Comendador Joe Berardo. Conclui-se portanto, que tanto uma, como o outro, já tiveram melhores dias, financeiramente falando.
O Banco Espírito Santo (BES), detentor da empresa que gere aquele fundo de jogadores, a Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliário (ESAF), foi, segundo consta, "(...) a primeira instituição financeira em Portugal a dizer que recorreria à garantia do Estado de 20 mil milhões de euros para enfrentar a crise financeira internacional devido à escassez de liquidez nos mercados”.
Esta instituição, de acordo com a ficha do fundo, assegura(va) a sua componente de depósitos à ordem e a prazo, num valor, que inicialmente terá sido de cerca de 17 milhões de euros, e que andava em 31 de Dezembro passado, à volta de 3,5 milhões.
Voltemos à Ongoing. Seria através desta empresa que a Portugal Telecom adquiriria a TVI, conforme veio a revelar o processo “Face Oculta”, e onde estariam envolvidos Armando Vara e o Dragão de Ouro Rui Pedro Soares, respectivamente o estratega e o operacional da coisa. Pronto, é um Dragão de Ouro que recebe cartas de recomendação provindas de lugares duvidosos, mas é sempre um Dragão de Ouro.
Para a Ongoing foi asilar-se, quando saiu da TVI, o José Eduardo Moniz, na qualidade de vice-presidente.
José Eduardo Moniz que, antes de lançar a sua candidatura à presidência do clube mais grande do Mundo dos arredores de Carnide auscultou Armando Vara.
Armando Vara que esteve para ser administrador da SAD encarnada, mas acabou por ir para a Caixa Geral de Depósitos em vez disso. Nesta instituição terá prestado inestimáveis serviços ao futebol pátrio, pois serão de sua lavra os contratos de “naming” do Caixa Futebol Campus e do Dragão Caixa.
Daí transitou para o Millenium BCP. Dizem as más línguas, designadamente a de José António Saraiva, director do Sol, que «Armando Vara "comandava" o jornal no BCP», e que o banco, logo Vara, “queria decapitar a direcção do Sol”, secando-lhe a fonte da publicidade institucional.
Por sua vez, o Comendador Berardo, foi o testa-de-ferro do Governo, que combateu as Operações Públicas de Aquisição do BCP pelo BPI e da Portugal Telecom, pela SONAE.
O bom do Joe ascendeu, consequentemente, a Presidente do Conselho de Remunerações do BCP, em cujas funções fez questão de considerar que, apesar da suspensão de funções de Vara na administração do banco, por força do processo “Face Oculta”, "não haviam razões para [Armando Vara] não continuar a colaborar com o banco". Nem mais, pois se “apesar de suspenso continu[ou] a receber um salário de 30 mil euros”…
O ex-banqueiro Jorge Gonçalves, deu em Agosto de 2010, uma extensa entrevista ao Jornal de Notícias, onde esclarece as relações existentes entre muitas das empresas, instituições e pessoas atrás mencionadas, e outras, como por exemplo a EDP, sendo muito claro ao afirmar, como diz o título, que “Os actuais accionistas do BCP têm interesses conduzidos pelo Estado português e angolano”.
Por tudo isto, parece-me que pecou por defeito o nosso presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, quando, a dada altura, disse numa entrevista, que "Sócrates quase pôs [as papoilas saltitantes] como clube do regime".
Eles foram mesmo o clube do regime. O regime é que durou menos do que esperavam!
É contra isto que nós lutamos!

