Azul ao Sul

Porra Vítor, até que enfim, pá!


 


 


Finalmente Vítor, percebeste que o lugar privilegiado que ocupas lá próximo do relvado e a braçadeira a dizer "treinador", são mais do que um simples free pass, para ver o jogo à borla.


 


Finalmente resolveste deixar de usar nos dias de jogo os velhos trusses apertados, que te põem a falar fininho, e substituiste-os por uns confortáveis boxers, onde, como dizia o Herman José, "tudo areja, tudo abana", e o sangue flui a partes do corpo, como por exemplo, o cérebro, que de outra forma parecia entrar em pane.


 


Finalmente vimos aquela centelha de audácia e destemor que marca a diferença entre um treinador do FC Porto, e uma amiba protozoária.


 


Afinal de contas Vítor, se isto estava lá, porque é que esperaste até ontem, para pô-lo cá para fora? Porque é que foi preciso chegar ao limite do perdido por um, perdido por mil, para te decidires?


 


Porque é que nos tens feito sofrer e desesperar este tempo todo? Era difícil?


 


Não tinhas percebido ainda que era disso que nós, e mais importante ainda, os jogadores estavam(os) à espera? Os gajos (e nós) queriam um líder, alguém que desse o exemplo, que fosse para a frente sem temor. Ou com temor, mas disfarçando-o, por amor de Deus...


 


Ninguém te ia censurar por falhares, se pelo menos tentasses, caramba! Ao menos isso.


 


Pois é Vítor, a vitória de ontem é, quanto a mim, tua. Mereceste-a mais do que ninguém, embora os jogadores, justiça lhes seja feita, também tenham feito a sua parte, e não foi pequena!


 


Aquela substituição do Rolando pelo James deu o mote para todo o resto. Estiveste bem Vítor, no momento mais importante da partida.


 


Tiraste o Rolando, e espero que quando passou por ti, lhe tenhas lançado: "Você é o elo mais fraco. Adeus!". Para a semana logo explicas ao rapaz, com calma e pausadamente que, para jogar no FC Porto, não é ao ritmo das mornas e das coladeras. Tem que ser sempre a bombar.


 


Meteste o puto James, e a mensagem lá para dentro deve ter ficado bem clara: "É para ir p'ra cima deles, cara...!".


 


Depois ainda retocaste o ramalhete, com a entrada do Kléber. Perfeito. Não há cá amolecimentos, ainda para mais contra dez deles.


 


Foi bonito, pá! Mantém-te assim, por favor.


 


 



(Olha, olha, ainda não apagaram a luz!)


 


 


Esta foi uma grande vitória, e acima de tudo, uma grande vitória contra a chico-espertice.


 


Começaram logo armados em chico-espertos com a marcação da data do jogo. Preocuparam-se em ter tempo de descansoara os gajos com nome de torneira, e pensaram que o jogo connosco eram favas contadas.


 


Só mesmo pela cabeça daquele desequílibrado emocional da chicla na boca, é que passava tal idéia. Pois então, se são eles que jogam sempre no máximo, que não se poupam a esforços, e dão tudo por tudo em cada partida, como se a vida dependesse disso, não seriam eles os mais prejudicados? Fiaram-se em que iam ter menos jogadores nas selecções que nós, e com deslocações mais curtas? Tiro pela culatra.


 


O que se viu foi que as lesões foram do lado deles, e quem no final não podia com uma gata pelo rabo, idem aspas, aspas.


 


A chico-espertice seguinte foi a da lesão do Rodrigo. Aí ainda lhes dou o benefício da dúvida. Ou então, o choradinho foi tão grande, que o Milla lá o deixou na bancada. O que é que se viu? Contrariando até o Miguel Sousa Tavares, o Varela esteve mesmo ausente, o Rodrigo jogou, pouquinho, mas passou por lá.


 


Para acabar as chico-espertices, a pré-nomeação do árbitro à terça-feira, e confirmada depois à quinta. Claro que a notícia saiu por acaso. Claro que ninguém queria condicionar o Pedro Proença, nem que os adeptos fossem para o Estádio já com três dias de ruminação sobre a matéria no bucho. Pois claro que não.


 


Fizeram-lhes a vontade. Como as coisas correram mal, não tiveram outro remédio senão prolongar a chico-espertice para aquelas deploráveis conferência de imprensa e entrevista, daqueles dois indivíduos, qual deles mais perturbado. A sorte dos fulanos é que são claramente, disciplinarmente inimputáveis.


 


Mas a coisa não está mal pensada, num jogo em que todas as opções, ou chico-espertices, ia a dizer, no antes e  durante, deram com os burros na água. Num desafio em que, como disse, mesmo antes de ficarem reduzidos a dez, estavam de rastos, nada como no após, encontrar um bode expiatório. O árbitro, como não podia deixar de ser. Sempre o árbitro.


 


Contudo, ainda bem que assim é. Conseguem imaginar o FC Porto ficar quatro jogos sem ganhar, e aposto que terça-feira serão cinco, fazer um ponto em nove possíveis, para a Liga Zon Sagres, e não vir por aí Mundo e meio, botar faladura sobre a crise no nosso clube?


 


Com o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide isso não acontece. É normal. E sendo normal, fala-se do árbitro. Ainda bem que assim é.


 


Outra coisa que também é normal, é que a última vez que nos derrotaram no Estádio da Lucy, o árbitro foi o Lucílio Baptista. Tudo normal, portanto.


 


 



 


 


Força Vítor, mas vê lá, não penses que por ganhares, e te teres portado bem, que se tornas a meter a pata na poça, não te chego ao pelo outra vez!


 


Isto é como os miúdos, pá. Há que sarrazinar-lhes o juízo infinitas vezes, sempre que se portam mal. Quando entram na linha, não fazem mais que a sua obrigação.

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