Azul ao Sul

Porquê Bernardino?

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"90 Minutos à Porto" de ontem.


 


Bernardino Barros, para demonstrar a bondade do trabalho feito na temporada, pergunta onde estavam na época passada Casemiro, Óliver Torres e Tello, e quanto tempo jogaram.


 


Conclui que os jogadores cresceram e valorizaram-se. Cândido Costa concorda, e acrescenta que não só os jogadores se valorizaram, como também o treinador.


 


Bernardino Barros diz que não quer ir por aí. Mas porquê Bernardino? Porque não ir por aí? Por acaso não será verdade?


 


Alguém que chega do nada, bem, não exactamente do nada, mas das selecções jovens espanholas, do Castilla e do scouting madridista, e que, sem ganhar nada, é dado como possível sucessor de Carlo Ancelotti, no Real Madrid, ou como hipótese para a AC Milan, a par do Ancelotti, outra vez, do pateta platinado e de Unai Emery, valorizou-se ou não?


 


Relembro apenas que Ancelotti conquistou só três Ligas dos Campeões, que ao pateta platinado, Lopetegui não conseguiu ganhar mais do que um ponto, e que o Unai Emery é o detentor da Liga Europa, para cuja final caminha novamente a passos largos na presente edição.


 


Lopetegui chegou aos oitavos-de-final da Champions, e teve na vitória sobre Bayern de Munique, um one hit wonder que aparentemente, o catapultou para a estratosfera dos treinadores.


 


Valorizaram-se os jogadores, valorizou-se o treinador. Ganharam, ou vão ganhar os clubes que emprestaram aqueles jogadores, vão ganhar os fundos e os investidores, que são donos de partes de passes de outros.


 


Ganha com a sua valorização, o empresário do treinador, que é Jorge Mendes.


 


E tudo isto sem que o clube conquiste um único título.


 


No entanto, os adeptos também ganham. Ou querem convencer-nos disso. Moralmente são vencedores, porque este foi um campeonato roubado pelos árbitros e pelo colinho. São vencedores porque estatisticamente, as coisas até não correram mal.


 


Porque o percurso europeu foi bastante bom e foram ganhos muitos milhões, porque se recuperou prestígio (esta, não a compreendo muito bem, mas também entra no rol, porque já a vi escrita por aí!), porque a equipa melhorou em relação à temporada passada. Piorar, também, era difícil, mas enfim…


 


Os outros, os que vão ganhar títulos, obviamente que também ficam contentes.


 


Vão ser bicampeões, algo que já não atingiam há trinta anos e preparam-se para cantar d’alto. Vão alcançar mais um triplete inédito, juntando ao campeonato, a Supertaça e a Lucílio Baptista. É o investimento de Peter Lim e Jorge Mendes, outra vez, mas desta vez, do outro lado, a render.


 


Até os que nem juízo ganham, este ano vão ter a possibilidade de molhar a sopa, se o Sérgio Conceição não lhes fizer a desfeita na Taça de Portugal.


 


Ou seja, é win-win-win-win e mais win, all over. Parece um rescaldo eleitoral.


 


Com jeitinho, ainda alguém é capaz de chegar à conclusão de que tudo isto não passou de uma congeminação pintocostista: deixar o pateta platinado ganhar o bicampeonato, para desamparar a loja, de uma puta de uma vez por todas.


 


E assim sendo, é mais um win garantido.


 


Um dia, mais tarde, talvez alguém se lembre de fazer uma daquelas contabilidades interessantes de títulos, e chegue à brilhante conclusão de que todos ganharam, mas na realidade, os troféus estão no Cosme Damião e no wc (a ver vamos!), e no by BMG está o minuto 92 do Kelvin.


 


Ainda assim, talvez concluam: melhor, menos trabalho para o pessoal que puxa o lustro às taças. E sai mais um win!


 


Mais salomónico do que isto, deve ser impossível. Nem o Salomão, ele próprio!


 


Só não percebo é porque é que o Bernardino Barros não quer ir pela valorização do treinador...

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