Azul ao Sul

O Ruim Cagador


 


O meu Pai, quando eu procurava justificar os meus insucessos, nomeadamente os escolares, porque, como volta e meia se ouve argumentar, "não se encontravam reunidas as condições necessárias para…", ou por outras palavras, tinha feito tudo bem, mas por azar, que não tinha rigorosamente nada a ver comigo, a desgraça acontecera, usualmente retorquia, simples e pausadamente: "Ao ruim cagador, mal lhe fazem as calças".


 

Escusado será dizer que desisti de tentar arranjar justificações daquele género, ou a aperfeiçoá-las, para não dar tanta bandeira, logo à primeira vista.

 

Vem isto a propósito do tipo da foto. O amigo Jorge Jesus, quando a vida lhe corre menos bem, tem uma certa tendência para arranjar desculpas de mau cagador.

 

Foi assim, quando no jogo com o Leixões, o Pablito Aimar "furou" a estratégia de comunicação do clube, e atreveu-se a dizer que a equipa tinha entrado mal no jogo. Lá veio o Jesus contestar que não. Que o jogador organizador de jogo da equipa (leia-se, o Aimar) é que estava ansioso, e a querer fazer tudo muito rápido, e por isso mesmo, falhou mais do que de costume.

 

Foi assim em Braga, onde o túnel, o ambiente, o árbitro, em geral e a expulsão do Cardozo, particularmente, serviram de atenuante à derrota. Apesar de não existirem equipas "invencívels", e de ter sido também expulso um jogador do SC Braga.

 

Em Alvalade foi a relva alta e fofa, como as pizzas da Pizza Hut, passe a publicidade.

 

O então, jogo menos conseguido do Benfica não teve nada a ver com aquele que pareceu ser exclusivamente, o grande objectivo delineado para aquele dérbi: afastar o Sporting da corrida para o título.

 

Não sou eu que estou a inventar. Foi o próprio treinador encarnado que disse que, o que haviam feito até ali, estava feito (e bem feito. E, em vários sentidos, acrescento eu!), tinham marcado 31 golos, eram a equipa mais concretizadora da Europa, quiçá, do Mundo, e "o resto são "peanuts"".

 

O Sporting terá ficado afastado da vitória na Liga. Vale algum prémio especial? Os 31 golos marcados valem algum título? Ou é só para alimentar o ego?

 

Para o Jorge Jesus, as quebras de produção do Benfica devem-se, em parte, a que as equipas vão à Luz, e estacionam o autocarro à frente da baliza para perderem por poucos.

 

No entanto, se voltarmos ainda ao jogo de Alvalade, na "escala Jorge Jesus" da ambição desmedida, a passagem do Aimar, ainda na primeira parte, do centro do meio-campo para a linha lateral, por troca com o Ramires, foi para quê? Para que pudesse galopar livremente pela linha ou para dificultar a acção do João Moutinho? A sua posterior substituição pelo Ruben Amorim foi o quê? O autocarro estacionado uns metros mais à frente?

 

Mas porque é que o Sporting não apara a relva? E o SC Braga? E o Guimarães? Não, espera. O jogo com o Vitória de Guimarães para a Taça de Portugal foi na Luz. Ah, já sei. A relva cresceu nos sítios onde estavam estacionados os autocarros. Foi por isso que não puderam apará-la para esse jogo.

 

Então contra o Sporting não jogaram mais porque são "uma equipa muito dotada tecnicamente, que joga em um, dois toques" (palavras de Jesus, o do Benfica, não o outro!), e depois, contra a Académica de Coimbra, no Estádio da Luz, debaixo de chuva, e com o centro do terreno transformado num batatal, espetam quatro?

 

E o drama que se fez antes desse jogo, porque o não jogava o Javi Garcia, e o Aimar, talvez tivesse que ser poupado, foi para quê?

 

Para prevenir algum contratempo inesperado? O Ruben Amorim não fez no Belenenses, por mais de uma vez, a posição do Javi Garcia?

 

E o Aimar. Então não é que, no final do jogo, até foi elogiado pelo João Vieira Pinto, pela solidariedade que tinha demonstrado para com o colega, menos rodado naquela posição, ajudando-o, pasme-se, nas tarefas de cobertura defensiva.

 

Afinal parece que não estava doentinho.

 

Agora em Olhão, mais queixas. Desta vez, com a estratégia de comunicação bem afinada, ou não fosse o Nuno Gomes o jogador destacado para a "flash interview". Tanto ele, como o Jesus, afinaram pelo mesmo diapasão: elogiar a exibição do adversário, e estranhar que, a jogar assim, se encontre nas últimas posições da Liga.

 

Conhecendo o Nuno Gomes, está-se mesmo a ver que aquele elogio estava carregado de fina ironia.

 

Depois de ouvir o António Pedro Vasconcellos criticar o "caldinho", que tinha sido preparado em Olhão, percebe-se onde ambos queriam chegar. O Olhanense jogou como jogou, para fazer um favor ao FC Porto. E não interessa que, ao Olhanense, até lhe pudesse passar pela cabeça ganhar o jogo, que mais não fosse para subir acima da "linha d'água". Não.

 

Equipas que correm e lutam, e vendem caro o resultado, não são muito do agrado do Glorioso. Com estas equipas têm alguma dificuldade em explanar toda a sua "dinâmica".

 

Os benfiquistas gostam mesmo é de Belenenses, Vitórias de Setúbal, Paços de Ferreira. Equipas molinhas, conformadas, amorfas.

 

As outras, das duas, uma: ou vem de lá um Lucílio ou um Capela qualquer, que dá uma ajuda a imprimir a "dinâmica", ou dão um trabalhão dos diabos (que não vermelhos).

 

E desta vez, nem têm muito do que reclamar: se há dúvidas sobre a legalidade da posição do Toy, no golo do Olhanense, no do Nuno Gomes, o que se põe em causa é a sua ilegalidade.

 

Se faltou a expulsão do Anselmo, no Olhanense, o Cachinhos Dourados fez do Miguel Garcia taco de partida para um sprint, e, surpresa das surpresas, nem cartão amarelo levou. O tal discutido cartão amarelo que o deixava fora do jogo com o FC Porto, lembram-se?

 

E depois ainda falam do Bruno Alves. O Cachinhos, como é do Benfica, é um rapazola impetuoso. O Bruno Alves é um brutamontes, que dá porrada a torto e a direito.

 

Enfim, acho que o melhor é o Jorge Jesus fazer como eu, e começar a aprimorar as desculpas que arranja, porque estas, já não colam!


 


 

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