Jorge, Dragão como poucos,
As linhas que se seguem são inteiramente dedicadas a ti. Espero que não te importes. Sei que não gostas de textos longos, por isso, se quiseres, podes aguardar pela versão em filme.
Caso não aches piada à ideia, é só dizer, que este texto desaparecerá tão depressa como o Duarte Gomes apita um penálti a favor de um certo clube.
Para aqueles que teimosamente ainda insistiram ao longo dos últimos meses em passar por cá, não é novidade que este espaço tem estado comatoso, numa espécie de animação suspensa.
A máquina a que esteve ligado debitava um piiiiii contínuo e prolongado, que as duas tentativas de reanimação feitas até aqui não lograram romper. A linha continuou “flat”.
Recentemente, na minha travessia diária pela bluegosfera, eis que me deparo com um artigo do Jorge, no seu Porta 19, intitulado "Os não-blogs", que é, no fundo, a razão de ser do que agora escrevo.
Poupo-lhes o trabalho de lá ir, mas aconselho vivamente que o façam, e espero que o seu autor não se chateie comigo, mas passo a reproduzi-lo:
“Os não blogs
Desde Maio de 2009 que por aqui ando. Não sou propriamente o decano dos blogs portistas, muito longe disso, mas o tempo que já passei a escrever (quase 1200 posts no curriculum começam a dar alguma bagagem) já me permitiu perceber algumas coisas sobre a forma como se deve encarar a criação e desenvolvimento de um blog. Se a primeira é feita de impulso, de vontade rápida, do instinto imediato de fazer a diferença, de contribuir com um pedaço de nós para uma discussão, para que possamos ter um espaço para libertar a nossa própria pena, encher a ponta de tinta (não sejam porcos, vá lá) e escrever o que nos vai na cabeça sem ter de esperar pela moderação de um comentário noutro blog ou de arrancar uma guerrícula num qualquer fórum de comentário alheio. A segunda…é outra conversa.
Gosto de me manter atento ao desenvolvimento da blogosfera portista. Não sou um particular fã de Facebook ou Twitter, admito, e uso-os primordialmente porque são excelentes meios para transmitir a palavra e espalhar o nome do blog para que seja cada vez mais visível. Que diabo, seria parvo se não o fizesse e hipócrita se não o admitisse. Mas é por isso que trabalho exclusivamente no blog, escrevendo e pesquisando para textos a serem aqui publicados. Disclaimer aparte, continuemos. Tenho reparado que há uma quantidade de blogs que aparecem na nossa pequena/grande comunidade e ao passo que vários se mantém activos, energéticos e dinâmicos, há outros que rapidamente perdem a força com que arrancaram a demanda. É verdade que isto dá algum trabalho e depende um pouco da forma como encaram o que querem fazer com o vosso próprio esforço. Se optarem por um blog orientado para cobertura noticiosa, precisam de estar permanentemente atentos a vários canais de informação sobre o nosso clube, entre televisão, rádio, sites nacionais e internacionais. Escolhendo uma via mais adaptada à crónica, não precisam de manter qualquer tipo de periodicidade e podem apostar na análise pausada e pensada sobre qualquer evento que queiram comentar.
Mas têm de se manter activos. É muito giro abrir um blog cheio de pompa e escrever dois posts cheios de garra, criar gráficos para pós-jogo, estabelecer contactos…para depois deixar tudo cair por terra como um penso rápido que se usou enquanto o sangue gotejava. Se chegarem à conclusão que não vão conseguir manter um ritmo de publicação razoável, seja por que motivo fôr (e todos os motivos são bons, mesmo os maus), pelo menos avisem o povo. Se calhar não é o vosso caso, mas vejo a criação de um certo laço de empatia com alguém que escreve como algo de muito interessante e quando uma das partes desaparece sem sequer deixar dinheiro para o táxi, a outra parte sente-se traída.
Por isso pensem bem antes de abrir um blog. A recompensa é simpática e para quem gosta de escrever é um excelente escape e uma boa maneira de comunicar com a comunidade. Mas só funciona se o mantiverem vivo.”
Quando vi o título, senti uma sensação estranha de déjà vu. À medida que fui lendo o texto, fui confirmando a minha expectativa inicial. E quando cheguei próximo do fim, à parte onde diz:
“Se chegarem à conclusão que não vão conseguir manter um ritmo de publicação razoável, seja por que motivo fôr (e todos os motivos são bons, mesmo os maus), pelo menos avisem o povo. Se calhar não é o vosso caso, mas vejo a criação de um certo laço de empatia com alguém que escreve como algo de muito interessante e quando uma das partes desaparece sem sequer deixar dinheiro para o táxi, a outra parte sente-se traída”.
fiquei quase com a certeza, passe a minha presunção, de que era do “Azul ao Sul” que se falava.
Aquele bocado de texto retratava fielmente o que aconteceu a este blog nos últimos tempos. Porquê?
Pelos motivos do costume: a família e o trabalho, não necessariamente por esta ordem, e até mais este do que aquela. O que é certo é que a paragem, ainda que não totalmente desejada, foi inevitável.
Num dia estava a festejar o terceiro aniversário do blog, e o excepcional que fora ter 1.000 páginas vistas num mês, e passado pouco mais de um mês, puf! esvaiu-se no ar. Numa época do mais vitorioso que já vi, nem festejei condignamente as vitórias alcançadas, e (in)felizmente não foi pelos mesmos motivos que o Mourinho não celebrou a vitória na Champions…
Por isso, faço minhas quase todas as palavras que o Jorge escreveu. Li ainda o comentário do Ricardo Sousa (27 de Dezembro de 2011 às 01:28) e a respectiva resposta, e também era capaz de os subscrever num ápice.
Pois também a mim me parece evidente que não faz sentido, quando a disponibilidade escasseia, deixar correr o marfim, (…) vê-lo [ao blog] morrer lentamente, defraudar os ainda alguns leitores que tinha”, numa lenta agonia.
Não tenho a menor dúvida, ao contrário do que transparece no comentário do Ricardo Sousa, de que defraudei estes leitores “(…) pela atitude”, e que “seria mais nobre “morrer de pé” do que deixar que o matassem pela falta de qualidade e dedicação”. O artigo do Jorge confirma na mouche, esta minha percepção.
Bem quisera eu ter a nobreza e a força de espírito suficientes para “fazer como as árvores e morrer de pé”. Mas infelizmente, não tive.
Por outro lado, acreditei sempre que, mais dia, menos dia, estaria de regresso, e nunca me perpassou a cachimónia que o retiro sabático seria tão prolongado.
Também por isso não me ocorreu preparar uma despedida condigna. Foi um risco, de certa forma assumido, mas com os seus efeitos perniciosos, para já, impossíveis de quantificar. O que não tem remédio, remediado está, agora há que arcar com as consequências, ou seja, com certeza haverá muito boa gente que cá não voltará. De certa maneira até é bom sinal, é reflexo de que existem muitas e boas alternativas válidas na bluegosfera.
Bem, o certo é que, depois de ler o texto e os respectivos comentários, compus mentalmente no trajecto de regresso a casa, uma mensagem, ainda que tardia, de despedida. Tinha-a quase completamente alinhavada, só faltava mesmo passá-la para o teclado quando cheguei a casa.
Depois de deitar os miúdos, comecei a pensar no assunto, e quando dei por mim, tinha ideias para escrever três ou quatro textos, e nenhum deles este arrazoado secante que para aqui vai.
Pondo as coisas nos pratos de uma balança imaginária: de um lado, um artigo de despedida. Do outro, quatro potenciais textos em perspectiva.
Escusado será dizer, Caro Jorge, qual foi a decisão tomada. Como disseste: “once a blogger, always a blogger”, o Azul ao Sul, para o que der e vier, está de volta. Sem grandes compromissos ou garantias, e com a qualidade que for possível. Apenas uma meta para mim mesmo: publicar semanalmente, no mínimo três textos, e uma garantia: não vão haver mais interrupções sem aviso prévio!
A culpa é tua Jorge, Meu Caro. O teu artigo foi o choque que faltava para a reanimação deste espaço, portanto, para o bem ou para o mal, fica na tua consciência.
Para despedida, que isto já vai longo para lá da conta, tenho que te dizer que só não concordo inteiramente contigo no que toca ao título do artigo e na questão da visibilidade do(s) blog(s), e pelo mesmo motivo.
Quanto a mim, intitular o artigo de “Os não blogs” parece-me demasiado forte. Fundamentalmente porque a motivação por detrás do nascimento de cada um deste sespaços pode ser diferente.
Por exemplo, e falando apenas daquilo que sei, ou seja, do Azul ao Sul. Este coisinho, como já disse noutra altura, nasceu porque o futebol não era muito bem visto no meu blog original, e então resolvi separar as águas: futebol, de um lado, banalidades, do outro.
Sendo eu irremediavelmente portista, pois claro que os assuntos debatidos teriam forçosamente que versar o meu clube, ou talvez não, como se queixam alguns da concorrência que por aqui passam.
Nasceu como um projecto diletante inteiramente pessoal, e por isso mesmo seria incapaz de o ceder à exploração ou trespassá-lo, como já vi noutros sítios, e atenção que isto não é de forma nenhuma uma crítica, mas meramente uma posição pessoal. Quanto muito, abri-lo a participações de convidados especiais, se os houvesse.
À medida que me fui embrenhando na bluegosfera, e tomando contacto com outros, permito-me dizê-lo, colegas, comecei a levar as coisas mais a sério. Digamos que passei a ter como minhas as divisas do "Dragão até à morte", “todos juntos somos poucos para vencer” quem nos ataca, e do "Bibó Porto, carago", “Quanto mais mentirem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles”.
A coluna das “Portas Azuis” (vês Jorge, novamente tua culpa, tua maxima culpa!) deu uma (enorme) ajuda, e o blog saiu do anonimato.
Nunca foi minha preocupação a visibilidade, o número de visitas, de comentários, os númbaros, como tu dizes. Aconteceu, foi muito bonito, interessante mesmo. Poderá repetir-se ou não, mas se isso não acontecer, não vem mal ao mundo por isso. Cá estarei.
Não me passa pela cabeça classificar como “não blog” uma das minhas portas azuis predilectas, o "O Porto é o maior, carago", só porque não publica com periodicidade.
Como dizes “once a blogger, always a blogger”, eu acrescento once a blog, always a blog. Ou pelo menos até que alguém decida obliterá-lo para sempre da blogosfera.
Em suma e apesar de tudo, Caro Jorge, nas inesquecíveis voz do Rui Veloso e palavras do Carlos Tê, “muito mais é o que nos une, que aquilo que nos separa”. E isso é que interessa.
Isso, e que o Azul ao Sul está de volta!