Não, ao contrário do que o título possa eventualmente sugerir, não vou fazer nenhuma alusão ao regresso do Jedi.
Podia vir para aqui armar aos cucos, e escrever que não tinha ficado nada surpreendido com a escolha de Nuno Espírito Santo para nosso treinador.
Nem me faltava um bom álibi para isso, pois era uma hipótese que antevia há algum tempo. Mas não. A verdade é que fui surpreendido. Já não estava mesmo nada à espera.
Por coincidência ou não, desde o acordo com a MEO, o FC Porto parecia vir a distanciar-se de Jorge Mendes. Parecia haver um saudável afastamento que, de certa maneira, faz deste regresso de Nuno ao Dragão, a meu ver, um retrocesso.
Na "apresentação", Pinto da Costa fez questão de explicar o porquê deste timing, e não Janeiro, quando, aparentemente, terá preferido José Peseiro.
Muito sinceramente, não li a explicação. Também muito sinceramente, porque não me interessa.
Não quero saber o porquê de Nuno agora, e Peseiro em Janeiro. O que verdadeiramente me intriga, e diga-se, acho muito mais fascinante, é o porquê de Lopetegui em vez de Nuno Espírito Santo.
Como escrevi, ainda em 2014, era para mim mais que evidente que esse seria o desfecho final em cima da mesa. E não se tratava de uma mera adivinhação.
Então porquê?
Essencialmente, por dois motivos. Depois do fracasso rotundo que foi Paulo Fonseca, por coincidência, também ele da carteira de Jorge Mendes, a SAD ou Pinto da Costa não podiam correr o risco de ir buscar um treinador com o perfil idêntico ao daquele que acabara de falhar.
Se Paulo Fonseca levara o Paços de Ferreira ao terceiro lugar na Liga, Nuno Espírito Santo disputou as finais das taças com o Rio Ave.
Ainda assim, ao primeiro sinal de tremideira, a desconfiança estaria instalada. Mais valia trazer alguém desconhecido, que não despertasse à partida, sentimentos de desconfiança.
Antes pelo contrário, conhecendo os adeptos melhor que ninguém, a escolha ideal seria alguém que despertasse o seu maniqueísmo, e que pusesse em confronto os seus defensores acérrimos, aqueles que, por amor ao clube e gratidão ao presidente, se prontificam em nome da sua fé, a defender o que quer que seja, e os outros.
Os outros, basicamente, todos aqueles que ousariam duvidar e questionar. E que não se confunda, como tanto jeito dá às vezes, duvidar e questionar, com não apoiar.
A divisão entre os portistas tornar-se-ia evidente, como veio a acontecer, de tal maneira que agora vem Paulo Fonseca, do alto da sua enorme sabedoria, constatar que a contratação de Nuno Espírito Santo tem por objetivo contentar os adeptos.
A discussão, qualquer que ela fosse, entraria no plano do irracional, o ideal para alimentar a cegueira, e não chegar a qualquer conclusão.
E eis Lopetegui.
Outro treinador intermediado por Jorge Mendes, do universo madridista, praticamente sem experiência de clube, e a precisar de fazer o tirocínio para poder almejar a mais altos voos.
O FC Porto, um clube da Champions, crónico candidato ao título lusitano, e dotado de uma estrutura capaz de fazer de um macaco, um treinador vencedor, parecia o habitat ideal para a experiência.
Por isso é que, como disse e escrevi, apesar de algumas manobras de diversão, nunca vislumbrei qualquer projecto para o FC Porto, com Lopetegui.
Lopetegui era o projecto ele próprio. Do FC Porto, mas principalmente de Jorge Mendes. Lopetegui nunca foi o treinador do FC Porto. O FC Porto foi o clube de Lopetegui.
E a coisa não correu excessivamente mal. Os adeptos começaram por se dividir em relação ao treinador, em relação à vinda de jogadores espanhóis, ao Ricardo Quaresma, e por aí fora.
Os resultados da Liga dos Campeões ajudaram, as arbitragens e a valorização e venda de jogadores deram uma achega.
E tudo esteve quase a acabar como se pretendia, quando, após a vitória sobre o Bayern de Munique no Dragão, surge o interesse do Real Madrid. Lembram-se?
Lopetegui aproveitou a onda para se atirar a Jorge Jesus, por quem veio dizer ter perdido, só nessa altura, o respeito, e entrou em regime de contenção de danos: Reyes a defesa direito em Munique, as substituições nesse jogo, depois de ir para o intervalo a levar uma tareia, o onze que entrou na Cesta do Pão...
Mas nem assim.