Azul ao Sul

Nome de código: Operação Federação

Lisboa, 06:57 (ow six hundred hours and fifty seven minutes, local time)


 


A coberto do lusco-fusco matinal, o comando de assalto das maléficas forças do norte, toma posição num edifício defronte do n.º 58 da rua Alexandre Herculano.


 


Lisboa, 07:00 (ow seven hundred hours, local time)


 


Go, go, go, go, go. Operação em curso.


 



 


Lisboa, 07:23 (ow seven hundred and twenty three minutes, local time)


 


Operação concluída com sucesso, dentro do horário pré-estabelecido. Bute aí emborcar uma ginjinha no Terreiro do Paço.


 


Sem falhas, OKilled! Perfeição total.


 


"Assalto bizarro à sede da Federação Portuguesa de Futebol"


 


Foram subtraídos com uma precisão tão cirúrgica como as faltas do Matic ou do Maxi Pereira, apenas os computadores do presidente e da sua assistente.


 


“Que aprendam alguma coisa com os dados a que tiverem acesso” – é o desejo expresso pelo presidente, que acrescenta:


 


“Não sei, nem me interessa, quem terá encomendado este crime. Mas posso dizer a essas pessoas que o fizeram que as estratégias de intimidação ou tentativas de me desviar do meu objectivo de lutar por um futebol cada vez melhor não surtirão qualquer efeito”.


 


Aqui começam as questões e as dúvidas existenciais:


 


“Crime encomendado”? Se é crime, e ainda por cima, encomendado, então interessa e muito, saber quem o encomendou. Como se fosse preciso.


 


Porém, as autoridades competentes estão em campo. Descansemos então.


 


Não consigo. A quem poderá interessar este crime? Que processo tão importante estará para ser decidido brevemente?


 


Os das equipas B do Sporting e do Marítimo, e de outra equipa foram arquivados em inquérito.


 


O SC Braga queixa-se de que, no seu caso, nem inquérito foi aberto.


 


Há mais alguma coisa por decidir? Algo que devia estar decidido e encerrado à coisa de uma semana atrás?


 


 


 


Haverá por aí algum receio de que sejam contrariados os instrutores do processo?


 


Ou será que tudo isto não passa, desde o início, e sendo o início a utilização irregular dos jogadores, de uma maquinação arquitectada pelas maléficas forças do norte, fazendo uso do seu consabido poder de antecipação, para adiar para data mais aprazível, a meia-final da Taça Lucílio Baptista, troféu em falta no seu historial, e que desejam desesperadamente possuir?


 


Reparem que a dita meia-final, correndo tudo conforme o programado, cairia a 27 de Fevereiro, e que antes, o FC Porto recebe no Dragão o Rio Ave, a 23 de Fevereiro, e depois, desloca-se à Calimeroláxia a 3 de Março. É para o puxadote, não é?!


 


Terão pensado nisto os teóricos das conspirações?


 


É que se procuram outra coisa, convirá ter presente que, nos dias que correm, ao contrário do que aconteceu noutras épocas, denúncias anónimas são lixo.


 


Esta trampa é toda tão basicamente estúpida, tão surreal, que não dá para levar a sério. Só mesmo num país de Paulos Pereiras Cristóvãos, de presidentes que levam DVDs sobre árbitros e arbitragens a Secretários de Estado, e onde as coisas se fazem pelo outro lado. 

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