Conforme terminei o texto anterior, é uma lástima aquele FC Porto tenha tido a efémera existência de apenas uns miseros14 minutos. Ainda assim foi melhor do que as muitas vezes em que nem sequer se deixa ver.
Como escrevi então, crua realidade é que não nasce Guardiola quem quer.
Aquele FC Porto, claramente inspiração guardioliana está ultrapassado no tempo.
Lopetegui ter-se-á inspirado em Guardiola e no Bayern de Munique, mas numa versão, que por esta altura, faz tempo que foi descontinuada.
É verdade que, na sua primeira temporada bávara, Guardiola começou assim, com os laterais a funcionarem como extremos, e com Robben e Ribéry, a jogarem por dentro.
Mas, a dada altura, mudou. Algo que também podia servir de exemplo aos que lhe querem ser copycat.
Ter homens que jogam nas laterais como Lahm, Rafinha ou Alaba também ajuda. De repente, os defesas-laterais deixaram de o ser e passaram a ladear Xavi Alonso no meio-campo, ou mesmo a constituir o duplo pivot de centrocampistas, quando o espanhol aparecia entre os centrais.
Agora vejamos os nossos laterais. Layún é um defesa-esquerdo que joga com o pé direito. A sua tendência é derivar para o miolo.
Maxi Pereira tem mais facilidade em jogar à linha que Layún, mas também vem para dentro com naturalidade.
Por outro lado, a maior parte dos nossos "extremos", Brahimi, Corona, Varela, e até André André, têm como característica a tendência para se internarem no terreno. O único que é, verdadeiramente e de raiz, extremo, é o Tello.
Há assim uma sobreposição de jogadores, tendencialmente e naturalmente, vocacionados para ocuparem os mesmos espaços.