Azul ao Sul

Era uma vez um treinador chamado Julen Lopetegui

Hoje, não me levem a mal, mas o que vão ler, tem muito pouco que ver com futebol.

 

Hoje vou contar uma história, daquelas que começam por: "Era uma vez...", e onde até entra uma fada-madrinha chamada Jorge Mendes.

 

Então é assim:

 

Era uma vez um treinador chamado Julen Lopetegui. O nome não me era totalmente estranho, pois lembrava-me de um guarda-redes com esse nome.

 

No entanto, fui incapaz de associá-lo imediatamente a um qualquer clube em particular, e muito menos me recordava que passara, ainda que discretamente por Barcelona e Real Madrid.

 

Desconhecia por completo a sua faceta de treinador, até ao dia em que, quase há um ano atrás, Pinto da Costa o apresentou como aposta sua e futuro treinador do FC Porto.

 

Esta configurava muito claramente, uma aposta pouco em linha com outras passadas, pois que, mesmo nos casos em que foram contratados treinadores estrangeiros menos conhecidos, como Del Neri ou Co Adriaanse, estes possuíam uma razoável experiência enquanto treinadores de clubes.

 

Não era o caso de Lopetegui. No seu currículo, o que mais relevava, para além de passagens com pouco sucesso por pequenos clubes espanhóis, pelo Castilla, filial do Real Madrid, e pela equipa técnica deste último, era a sua passagem pela selecção espanhola de sub-21.

 

Ou seja, uma espécie de Carlos Queirós à espanhola.

 

O perfil e o vínculo com três anos de duração, levavam a pressupor um projecto orientado para uma aposta em jovens jogadores.

 

E de facto assim aconteceu, mas o Rúben Neves acabou por se tornar, numa primeira fase, o único jovem representante das camadas jovens do clube, ao passo que os restantes jovens eram provenientes de Espanha, e chegavam ao Dragão por empréstimo dos mais proeminentes clubes espanhóis.

 

Para acompanhá-los seriam também contratados, com recurso à alavancagem financeira através de fundos de jogadores, outros jogadores mais experientes.

 

Tanto no caso de uns, como doutros, consta que muito por força da influência e capacidade de persuasão do novo treinador, bem como do seu profundo conhecimento do mercado espanhol.

 

Aqui surge pela primeira vez a fada-madrinha Jorge Mendes, e as primeiras questões.

 

Jorge Mendes é o agente de Julen Lopetegui, como também o é, e era na temporada passada, dede Paulo Fonseca.

 

Assim sendo, porque razão atravessámos toda a época anterior em agonizante sofrimento, e porque esta diferença gritante em termos de investimento, quando o próprio responsável financeiro da SAD, na assembleia geral em foi aprovada a transição de parte da sociedade detentora da posse do estádio para a própria SAD, afirmou que esta era uma operação irrepetível, e que no futuro, o rigor e a contenção orçamental eram obrigatórios?

 

Porquê a aposta num treinador que, para além da sua parca experiência de futebol de clubes, pouco ou nenhum conhecimento detinha do campeonato português?

 

Seria difícil encontrar um outro treinador que conseguisse conjugar aqueles dois atributos?

 

Nuno Espírito Santo, para além de amigo pessoal, é outro dos treinadores agenciados por Jorge Mendes.

 

Tem alguma experiência de treino de clubes, conhece o campeonato português, disputou duas finais de taças ao comando do Rio Ave, e ninguém porá em causa o seu portismo, pois era capitão de equipa quando, no auditório José Maria Pedroto, no último ano de Jesualdo Ferreira, os jogadores deram um murro na mesa e afirmaram: "Somos Porto".

 

Porque não Nuno Espírito Santo?

 

Bem, talvez a resposta seja, depois de Paulo Fonseca, o receio de novo falhanço da aposta num treinador vindo de um clube pequeno português.

 

Mas então, porquê a aposta em Lopetegui, e porquê a diferença gritante entre os meios postos à sua disposição e aqueles de que usufruiu Paulo Fonseca?

 

É simples. Contrariamente ao que ainda recentememte reiterou Pinto da Costa, tenho dificuldade em descortinar uma aposta séria em Julen Lopetegui.

 

O que parece é que Lopetegui foi colocado no FC Porto por Jorge Mendes, para cumprir uma etapa do seu percurso profissional, dentro daquele que  é o plano de carreira, previamente delineado para si, pelo seu agente.

 

Julen Lopetegui, no fundo, não passa de um estagiário, não daqueles apoiados pelo IEFP, mas antes, principescamente remunerado, que vem para o FC Porto para aprender, para fazer currículo e essencialmente, para dar-se a conhecer, enquanto treinador, tendo em vista outros voos.

 

Quais? Parece evidente. Real Madrid e Valência são os clubes espanhóis onde o ascendente de Jorge Mendes mais se faz sentir.

 

Para treinar o Valência, tomando como referência o exemplo de Nuno Espírito Santo, a passagem prévia pelo FC Porto, não seria imprescindível.

 

Já para orientar o Real Madrid, pese embora próximo da casa, a passagem, ainda que com sucesso, pelas selecções jovens poderá não ser suficiente para afastar alguma desconfiança.

 

Uma etapa bem sucedida num clube como o FC Porto, sempre potencial candidato ao titulo português, e às portas da Liga dos Campeões, constituiria certamente um apetecível cartão de visita.

 

Quanto a Nuno Espírito Santo, a confirmar num clube como o Valência, a boa imagem deixada em Vila do Conde, como de resto tem vindo a fazer, facilmente entraria no Dragão, sem o estigma de vir dali do lado, dos Arcos.

 

A solução parece óbvia: Real Madrid.

 

E assim, temos Lopetegui no FC Porto para aprender e crescer como treinador, um estagiário, como disse atrás.

 

E tem-no feito, há que reconhecê-lo. Como ninguém nasce ensinado, vai progredindo por tentativa e erro, e não há dúvida que colhe ensinamentos dos seus erros.

 

É claro que ao clube e a alguns portistas, tal terá como resultado uma época frustrante, mas não deixa de ser um processo de aprendizagem.

 

Colocada a Gata Borralheira desta história, a fada-madrinha tratou, conjuntamente com o clube e com os fundos apoiantes, de criar as condições para que se apresentasse condignamente no baile.

 

Não houve abóboras, nem ratinhos transformados em carruagens e corcéis, mas sim uma série de contratações e empréstimos de jogadores, escolhidos pelo treinador, a que já se fez alusão.

 

Interessante é que a fada-madrinha Jorge Mendes, que colocou o treinador e participou activamente na constituição do plantel para esta temporada, simultaneamente, através do parceiro de negócios Peter Lim, investe milhões num rival directo.

 

Estratégia de diversificação, dirão. Não colocar os ovos todos no mesmo cesto. Por algum motivo estamosestamos perante aquele que é considerado o mais bem sucedido empresário futebolístico da actualidade.

 

Mas são investimentos de diferente natureza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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