E se fosse um jogador do FC Porto, a falhar três vezes o tempo de entrada, e a fazer três faltas consecutivas sobre o adversário?
E se fosse um jogador do FC Porto a atingir um adversário em cheio na cara, num pontapé acrobático, e em clarissimo jogo perigoso?
E se não fosse um jogador do FC Porto a ter uma entrada estúpida como a do João Paulo?
E se fosse o Bruno Alves a tocar na cara um adversário, ainda que acidentalmente? Seria ele a levar o amarelo, ou o adversário, por simular a falta?
E se em vez do Lisandro Lopez e do Polga, a jogada duvidosa do jogo tivesse como intervenientes, por exemplo, o Liedson e o Stepanov?
E se o árbitro tivesse marcado penálti, ou mesmo falta, na jogada entre o Lisandro e o Polga?
É impossível de saber, não é?
São muitos "ses". E ainda poderiam ser mais. Agradece-se a magnanimidade do Paulo Bento, ao colocar a possibilidade de, uma vez revistas as imagens do jogo, poder vir admitir que a jogada do golo do Sporting, foi efectivamente precedida de falta não assinalada.
Mas nada disso adianta. O que conta em futebol, por muito que custe, são as bolas que entram na baliza, e que o árbitro não anula. O resultado está feito, o jogo está ganho, e a Taça está entregue.
E se fosse ao contrário? Estaria tudo na Santa Paz, e na mais perfeita das normalidades?
O futebol português teria virado mais uma página, a caminho da sua beatificação?
Que não se retire do que disse, que o FC Porto perdeu por causa do árbitro!
O FC Porto perdeu porque deu uma parte de jogo de avanço ao Sporting. Perdeu porque os seus jogadores, na primeira parte, estiveram a dormir. Perdeu porque o Jesualdo Ferreira não teve a coragem de fazer ao Quaresma, o que ele merecia, e era o mesmo que fez ao Bosingwa.
O FC Porto perdeu, porque não foi capaz, como noutras ocasiões, de ser superior aos adversários: o Sporting e o árbitro. Mas se perdeu, não foi por causa do árbitro. Foi porque o Sporting marcou dois golos, e o FC Porto nenhum.
O Sporting merece parabéns pela vitória? Nem por isso. Dadas as circunstâncias, fez o mínimo que se lhe poderia exigir perante um adversário que, das duas uma, ou regrediu trinta anos, e interiorizou a derrota assim que atravessou o Douro, ou sucumbiu ao peso da sua própria superioridade.
Adiante, siga a Marinha. Para o ano há mais!