Azul ao Sul

Do Gobern a Myanmar

 

 

 

 

 


 

“Neste país onde impera a bufaria, a subserviência doentia e o fanatismo outra coisa não seria de esperar quando um desses sacanas sem lei apanha o João Gobern a festejar o segundo golo do Benfica.


 


Qual é, afinal, o problema?


 


Toda a gente sabe que o João - uma das pessoas mais cultas e afáveis que conheço - é benfiquista e que nunca o escondeu. A sua reação foi apenas um ato espontâneo. Nada mais.


 


Mas, claro, lá está, a mesnada de medíocres e falhados não vai poupá-lo a propósito de chavões tipo "serviço público", "independência dos comentadores", etc,.


 


É o país que temos e muito mais não se pode esperar.


 


Na parte que me toca, continuo fã do João. Nem sempre concordo com ele mas continua a ser um dos nossos melhores comentadores desportivos, tal como o Bruno Prata, aliás. Sendo também verdade que a concorrência é paupérrima, para além das aparições do Jorge Baptista e do guru Rui Santos”.


 


Não podia concordar mais com este artigo do Eugénio Queirós, no blog "Bola na Área".


 


A reacção espontânea do João Gobern foi perfeitamente natural. “É o país que temos e muito mais não se pode esperar”.


 


Ao contrário do autor, não conheço o João Gobern, para além daquilo que vejo, quando o faço, no “Zona Mista”, e obviamente, tenho forçosamente de concordar que a “concorrência é paupérrima”, nela incluindo, contudo, o “Jorge Baptista e (…)o guru Rui Santos”.


 


Dito isto, [q]ual é afinal o problema?”, até porque, como refere, [t]oda a gente sabe que o João (…) é benfiquista e que nunca o escondeu”.


 


Bem, “toda a gente”, não. Eu, por exemplo, não o sabia. Desconfiava, como é óbvio. Basta assistir a uma das suas intervenções. Mas não o dava garantidamente por adquirido. E assim como eu, acredito que outros partilhassem este estado de dúvida latente.


 


E esta é a questão. O “Zona Mista” não é o “Prolongamento”, “O Dia Seguinte”, ou o “Trio d’ Ataque”. O seu formato não parece ter sido delineado para se constituir como uma espécie de réplica àqueles programas desportivos, onde os comentadores são claramente conotados com as cores clubísticas que defendem.


 


Por outro lado, parece sem dúvida descabido que se venha, a propósito deste episódio e a coberto das teses da "independência dos comentadores", a correr em defesa do "serviço público".


 


Quando o Marcelo Rebelo de Sousa lança farpas ao Tó Zé Seguro, não está, claramente, a ser independente. Marques Mendes, António Costa, Augusto Santos Silva ou Nuno Morais Sarmento, não são independentes. Todos eles defendem as suas damas políticas. A diferença é que estas estão perfeitamente identificadas por quem os ouve. Do Pacheco Pereira não direi tanto, mas aí, acho que nem ele saberá em concreto para que lado tomba.


 


Ora, o tipo de prestação que a RTPIN e o João Gobern acordaram entre si, no âmbito da sua participação no programa é algo que fica entre ambos.


 


Se ao João, ao benfiquista João Gobern, lhe foi pedido que interviesse na qualidade de comentador, filiações clubísticas à parte, então, do lado do próprio, só a ética ou a deontologia, com que desempenha a sua actividade, poderão balizar as suas intervenções. O que pela amostra, parece complicado.


 


À RTPIN, caberá avaliar até que ponto o comentador João Gobern, sendo benfiquista, é capaz nas suas intervenções, de ultrapassar essa sua evidente limitação. Não o sendo, não fará sentido a sua presença num programa com as características do “Zona Mista”.  


 


Assim sendo, compreendo a acrimónia manifestada por, [n]este país onde impera a bufaria, a subserviência doentia e o fanatismo”, um qualquer “desses sacanas sem lei”, se dedicar a apanhar “o João Gobern a festejar o segundo golo do (…)ica”.


 


Porém, o que me deixa siderado é que o mesmo Eugénio Queirós, a propósito do episódio do delegado da Liga portista, Manuel Armindo, se tenha limitado a comentar o seguinte:


 


“Ninguém sabe quem fez a denúncia mas a verdade é que a Liga suspendeu hoje um dos seus delegados mais antigos, Manuel Armindo. Tudo por causa de comentários que este fez na sua página do Facebook a propósito do trabalho do árbitro Bruno Esteves no último Paços de Ferreira-Benfica”.

 

 

 



 


“A confirmar-se tudo isto, é no mínimo estranha a forma como a Liga selecciona os seus delegados, máximos responsáveis por tudo o que acontece num jogo dos campeonatos profissionais.


 


Mais uma para o currículo, esta relativa ao FC Porto-Académica:”


 



 


 


Não há, como se pode ver, o mínimo sinal de repúdio em relação a esse(s) “sacana(s) sem lei”, que se dedicou(aram) a apanhar delegado da Liga, no Facebook.


 


O deslize, chamemos-lhe assim, do João Gobern foi público, em pleno estúdio, enquanto o programa estava no ar. Até a câmara já o focava uns segundos antes do golo. Não se detecta qualquer tipo de movimento inopinado da máquina, no sentido de “apanhá-lo” em flagrante. Ou o operador estava a adivinhar o golo, ou foi um puro golpe de sorte.


 


Para chegar ao comentário do delegado da Liga, das duas, uma: ou anda por aí algum indígena que se dedica a coscuvilhar páginas de Facebook, aleatoriamente ou não, ou foi denunciado por algum “amigo”.


 


Seja como for, foi um comentário privado, apenas tornado público porque quem o produziu não soube activar as protecções necessárias para que assim permanecesse, ou porque alguém o difundiu.


 


Isso, não causa estranheza ao Eugénio Queirós, que se limita a estranhar a “(…)a forma como a Liga selecciona os seus delegados, máximos responsáveis por tudo o que acontece num jogo dos campeonatos profissionais”, e até acrescenta mais qualquer coisinha, “para o currículo”.


 


A fazer lembrar umas certas escutas que por aí deram brado aqui há tempos.


 


Este [é, de facto] o país que temos e muito mais não se pode esperar”, desta ”mesnada de medíocres e falhados”!


 


É mais fácil a Aung San Suu Kyi, ser eleita deputada em Myanmar, do que mudá-lo…

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