Está quase a chegar ao fim mais um Dia das Mentiras, e a verdade é que o Sporting Clube Farense cumpre mais um aniversário, o seu 101.º.
Já o disse aqui, e certamente não me levarão a mal por isso, que, desportivamente falando, e em particular, no que ao futebol diz respeito, tenho dois amores.
O primeiro, o FC Porto. O segundo, o clube da minha terra, onde fiz a minha breve carreira de basquetebolista federado, que a falta de jeito, mais do que tudo, e uma pouco promissora falta de altura, fizeram de mim, com interregnos espaçados, o actual desportista de sofá e teclado que sou hoje. O basquetebol não é para Rui Barros. Bem, na realidade, na NBA houve o Tyrone Bogues. Foi a excepção que confirma a regra.
Para além de dar os Parabéns ao Farense, queria aproveitar esta oportunidade para vos apresentar o meu primeiro ídolo no futebol nacional: Carlos Manuel, nome de guerra "Cheira".
O Cheira foi um extremo do SC Farense, e vi-o jogar em finais da década de setenta, príncipios da de oitent. Era completamente louco. Capaz de dar as mais despropositadas pantufadas nos adversários, e não sei como é que não era expulso logo à primeira vez que dividia um lance com um oponente.
Tenho na memória um duelo em particular, com um defesa-esquerdo do Nacional da Madeira, de nome Inguila. Fez faísca até mais não, e o Inguila ganhou.
Na altura, não percebia porque é que o Cheira não jogava mais, e criticava por isso o treinador, salvo erro, também jogador, o Leitão. O meu tio, que me iniciou nestas coisas do futebol, e que, ou muito me engano ou, dada a sua simpatia clubística, na primeira vez que me levou ao velhinho São Luís, me espetou nas mãos uma bandeira, que eu desconfio que era vermelha e branca, - ainda que até hoje mantenha a esperança de que fosse preta e branca - também não gostava muito dele.
Agora percebo porque. O homem jogava de cabeça sempre em baixo. Não via ninguém. Tentava fintas completamente adoidadas, e depois, quando perdia a bola, afinfava nos adversários, como se não houvesse amanhã. Acho que, raramente terá feito qualquer coisa de útil. Coisas que um miúdo não compreendia na altura...
Aproveitando que estou com a mão na massa, ou no teclado, já agora recordo um dos momentos épicos que vivi no Estádio de São Luis, e precisamente no dia 1 de Abril, neste caso de 1995.
Nesse dia o Farense cilindrou um adversário por 4-1, e foi dos dias mais felizes que vivi naquele estádio.
Jogavam em Faro grandes jogadores como o "Príncipe" Rufai, o Miguel Serôdio, o Hajry, o Sérgio Duarte, o Hassan e o Djukic. E o King, é claro!
Belos tempos!
É claro que essa vitória acabaria, uns anos mais tarde, por ser paga, e com juros. O Farense não foi capaz de pagar as suas dívidas às Finanças (e não só!), e foi parar aos distritais. O outro clube, todos sabemos a história...
Enfim, muitos Parabéns Sporting Clube Farense!

