Hoje é dia 25 de Abril. Penso que todos nós sabemos o que representa, ainda que lhe possamos atribuir significados diferentes.
Como este não é um espaço de política, mas essencialmente de desporto, partilho convosco duas desilusões, relacionadas, ainda que muito ao de leve com futebol, e obrigatoriamente com o FC Porto.
Carlos Abreu Amorim, portista, deputado independente nas lista do PSD referiu-se recentemente à Associação 25 de Abril, como "brigada do reumático". Está obviamente, no seu direito, e sendo jurista, sabe-o melhor do que eu, por exemplo.
Direito esse, de que usufrui graças, em grande parte, à intervenção dessa dita "brigada do reumático". Não sinto pelos capitães de Abril nenhum tipo de admiração reverencial, e a alternativa política que propugnavam não seria certamente a mais desejável, mas respeito-os por aquilo que fizeram.
Se hoje, para o bem e para o mal, mas com liberdade, q.b., vivemos no País em que vivemos, a eles devemos grandemente. E nesse País incluo o FC Porto.
É sem margem para dúvidas o clube que mais venceu no pós-25 de Abril, e, pese embora os méritos próprios, sob o regime autocrático e centralista então vigente, nunca teria chegado onde chegou.
Compreendo que Carlos Abreu Amorim, apesar da sua independência partidária, diga o que disse defendendo as suas cores políticas. Enquanto portista, desiludiu-me.
Há um blog portista, que constava na lista de blogs do mundo azul e branco ali à direita, em que um autor, a propósito da recente derrota do Barcelona frente ao Real Madrid, mimoseou os culés, com o epíteto de "cabeças de melão".
Também está, como não podia deixar de ser, no seu direito. Mesmo sabendo certamente de antemão, que, pelo que venho notando, uma grande parte dos adeptos portistas, em que me incluo, sentem mais afinidades com o Barça do que com o Real Madrid.
O que até é perfeitamente natural, se tivermos em conta os regimes ditatoriais que existiram em ambos os países, e a protecção de que usufruiram neles o Real Madrid e um outro clube, que não o FC Porto.
Parece-me evidente e lógica uma maior proximidade do FC Porto ao Barcelona, no combate ao centralismo ditado pelas capitais de ambos os países, do que ao Real Madrid. Mas isso serei eu, e eventualmente, mais uns quantos que não conseguem dissociar essas coisas da afeição clubística.
No entanto, há de certeza um número considerável de portistas, tão adeptos do FC Porto como o autor do texto, que estão incluídos nos tais "cabeças de melão".
Bem, quanto ao Carlos Abreu Amorim, fica a decepção. Vale o que vale.
Quanto ao tal blog, foi-se da lista, e para lá não voltará.
25 de Abril, Sempre!
