Azul ao Sul

A insustentável irrevogabilidade da minha própria opinião

Bem, agora chega. Um princípio de gripe – afinal, parece que estava mesmo a chocar alguma. Os cabrõezinhos dos bicharocos apanharam-me! - e meio dia de reunião, ajudaram a passar o tempo, e deram margem suficiente para todos aqueles que cá quiseram vir insultar-me, ou que mais não seja, fazer pouco do meu estúpido optimismo.


 


Quem não veio, ou veio e não o fez, azar. Foram complacentes, agora é tarde, acabou o prazo.


 


O que é que se me oferece dizer sobre a nossa equipa, após a derrota de domingo?


 


Honestidade em futebol, não compensa.


 


Ainda que possa não ser no sentido em que poderão estar a pensar, não soa bem, é verdade, e não fica bem a quem tem dois putos para educar, mas é a mais pura das verdades.


 


Se há coisa que salta aos olhos nesta equipa do FC Porto, é a sua honestidade.


 


Com Vitor Pereira, muito fruto da concepção egoísta que este tem do futebol, quando a equipa não jogava, fiquei muitas vezes com a sensação de que não o fazia propositadamente.


 


Os jogadores entretinham-se a trocar a bola entre si porque, para o treinador, o mais importante era furtar o esférico ao adversário, e mantê-lo na nossa posse. Para os jogadores, isso também acabava por se tornar mais cómodo, do que andar a correr que nem uns desalmados.


 


A maior valia técnica de algumas das nossas unidades, chegava e sobrava para tanto, e sempre que necessário, nas alturas decisivas, diziam presente. Isto, a nível interno, que fora de portas, como não poderia deixar de ser, foi outra loiça.


 


Agora, fico quase sempre com a sensação que, salvo honrosas excepções, os jogadores fazem o que podem. Há ali uma honestidade desarmante. Não fazem mais, porque não podem. Não dá para mais. E quem dá o que tem, a mais não é obrigado.


 


Mas devia ser.


 


Com o treinador é a mesmíssima coisa. Os espanhóis têm uma expressão para quando estão confortáveis em certo sítio, ou quando algo está de acordo com a sua vontade: "estar a gusto".


 


O Paulo Fonseca está (ainda) entre nós, mas de há uns tempos a esta parte, ainda que estando, está a custo, em vez de “a gusto”.


 


Nota-se por ali que há um grande desconforto incontido. Quem, quando fala, se refugia em lugares comuns e frases feitas, das duas, uma: ou não tem nada para dizer, ou não quer expressar o que lhe vai na alma.


 


Ora, se no início da temporada a comunicação social exaltava a lufada de ar fresco que os novos treinadores do FC Porto e do Sporting personificavam em matéria comunicacional, ou Paulo Fonseca mudou, ou não o faz porque simplesmente não está para aí virado.


 


E talvez ninguém lhe levasse a mal se tivesse mudado. Veja-se o caso do Leonardo Jardim, que agora parece um calímero de toda a vida.


 


Será sintoma do seu desconforto?


 


O que é certo, é que todos os treinadores que o antecederam, de alguma forma conseguiram impor a sua filosofia de jogo, por mais estapafúrdia que fosse. Co Adraanse, Jesualdo Ferreira, ou Vitor Pereira, todos eles impuseram a sua visão. E triunfaram.


 


No caso do André Villa-Boas, o caso não foi tanto uma questão estratégica, foi mais ao nível da dinâmica incutida aos jogadores, e estes fizeram a estratégia.


 


A presença do Fernando a meio-campo ditou que Paulo Fonseca falhasse rotundamente a este nível.


 


Se a perspectiva que Paulo Fonseca tem do futebol passa por um duplo pivot, com Fernando na equipa isso tornou-se impraticável.


 


Quando Paulo Fonseca tem como referências no futebol Arséne Wenger e o pateta platinado, isso só por si é já preocupante.


 


Para além de serem dois perdedores inveterados, no caso do segundo, para além do seu quê de invertebrado, adivinhar-se-ia a predilecção por um estilo de futebol mais vertical e directo do que aquele a que estamos habituados.


 


Paulo Fonseca, claramente não logrou atingir esse desiderato, e pior ainda, não demonstrou até à data, ser possuidor de suficiente agilidade mental, para conseguir fazer as coisas doutra forma. Daí ao seu estampanço ao comprido e à irrelevância de que falei há dias, foi um apenas um pequeno passo.


 


De resto, confirmado pelo próprio Paulo Fonseca nos últimos dois jogos. Mais do que os lapsos sobre Dortmund, o Bayer ou Leverkusen, fico perplexo quando a equipa perde ou empata, e o treinador nem sequer esgota as substituições.


 


O jogo estava demasiado fechado para o Quintero? Então e não é para isso que serve o Quintero? Para desatar os nós górdios mais apertados.


 


É por demais evidente que Paulo Fonseca atirou a toalha ao tapete.


 


No fundo, o Paulo Fonseca não fez mais do que confirmar aquilo que afirmei: do ponto de vista da estrutura da equipa, a questão está perfeitamente resolvida e estabilizada.


 


 



 


As restrições que o Paulo Fonseca colocou a si próprio, quer pelo afastamento de alguns jogadores, quer pelas suas “opções tácticas”, reduziram-no à sua irrelevância. Olha para o banco, e não vê qualquer alternativa, tornando a sua presença, de pé, de braços cruzados ou a bater palminhas, perfeitamente inútil.


 


O único gesto de que talvez se pudesse socorrer, e eventualmente obter algum sucesso, seria aquele parecido com o do polvilhar culinário, e que entrou no léxico gestual de muitos outros treinadores, com o significado de “troquem a bola”.


 


Mas esse, ao Paulo Fonseca nunca o vi fazer.    


 


Assim sendo, nestes termos, tenho de admitir que não vale a pena continuar. Ir a Frankfurt, Leverkusen ou Dortmund, ou não, tanto faz. É igual. O melhor será mesmo irem uns para um lado, e o outro, para outro.

0