Azul ao Sul

1 razão para ter um pouco mais de paciência com o homem, e 1 razão para nunca ter sentado o traseiro naquela cadeira


 


 


O texto que se segue é, declaradamente, inspirado no artigo "10 Razões para ter um pouco mais de paciência com o homem", publicado pelo Semedo, no blog "Café das Antas".


 


Não é objectivo do mesmo parodiar aquele artigo, nem sequer criticá-lo, ao de leve que seja, até porque concordo com parte dos factores atenuantes apresentados. Os mais discutíveis serão, quanto a mim, o 3, o 6, o 7 e o 10. Mas é apenas uma questão de opinião…


 


Então vamos lá, sem atenuantes nem conservantes:


 


1 – É demasiado tarde para substitui-lo por algum outro treinador (de jeito).


 


Pois é. A janela de oportunidade para o pôr a andar terá estado aberta, por aí entre Novembro e Janeiro. Entretanto fechou-se. Agora é tarde demais. A seis jornadas do encerramento desta edição da Liga, duvido muito que um treinador entrado de novo conseguisse levar a nau a bom porto.


 


A única alternativa, minimamente plausível, seria o André Vilas Boas. Fundamentalmente, pelo conhecimento que tem do grupo de trabalho, ou do que resta dele, e pela aceitação que terá junto dos jogadores.


 


E quanto à disponibilidade do Villas Boas? Hmmm, não me parece que estivesse de agulha para aqui virada. Ainda que as pretensas razões que o terão levado a sair para o Chelsea, neste momento pareçam ter deixado de ser preponderantes.


 


Se o que tinha era receio de falhar, nesta altura o falhanço está consumado, e é de tal maneira rotundo que, o que quer que viesse, seria lucro.


 


Ainda assim, acho que seria tarde de mais.


 


1 – Uma promoção abstrusamente absurda


 


Disse-o antes, só entendi a promoção do Vítor Pereira a técnico principal, num contexto de continuidade em relação ao que vinha sendo feito, em termos de grupo de trabalho e de processos.


 


Percebeu-se, principalmente a partir do fecho do mercado de Janeiro, que tal não seria assim. O afastamento de alguns jogadores e a entrada de duas novas unidades, cujo encaixe no modelo de jogo utilizado até aí, deixava adivinhar uma clara ruptura, se não da parte do treinador, pelos menos de alguns jogadores em relação àquele.


 


Centremo-nos agora na ascensão do Vítor Pereira a principal responsável pela equipa do FC Porto.


 


Conseguem imaginar um processo de recrutamento de recursos humanos em que a análise prospectiva do desempenho do candidato ao lugar, é feita pelo próprio?


 


É que, no caso do Vitor Pereira, se tivermos em conta as palavras de Pinto da Costa, quando pretendeu justificar que o nosso actual treinador não era uma segunda escolha, mas sim "a escolha", terá sido assim que se passou.


 


Recordam-se? O que disse foi qualquer coisa como: "Falei com o professor, e perguntei-lhe se estava em condições de pegar na equipa, e ele disse-me que sim".


 


Ora bolas! E estava à espera que dissesse não, caso não se sentisse capaz? Até eu, se me perguntassem, mesmo sem perceber peva do assunto, tenho cá para mim que dizia que sim. Ah, pois não!


 


Será que quando foram contratados o Quinito, o Octávio, o Del Neri ou o Couceiro, lhes foram perguntar: "Oiça lá, acha que é capaz...?"


 


Custa-me a crer que sim.


 


Dirão: "Eh pá, a SAD deve ter analisado, e concluído que o homem tinha competência, senão não o contratava!"


 


Também acho que sim. Mas não foi isso que o presidente disse. O que ele disse foi que lhe perguntou se ele achava que tinha condições para... E se dissesse que não? Como é que ficava a SAD?


 


Portanto, bem podem depois ter vindo manifestações de confiança na competência do Vítor Pereira, e a concomitante passagem de atestados de incompetência aos críticos, enquanto putativos avaliadores da sua capacidade. Contudo, o primeiro certificado de incompetência para levar a cabo essa análise, foi passado a si próprio pelo presidente da SAD, quando fez aquela afirmação.


 


Por outro lado, se a contratação dependeu da análise do próprio, de certa forma, aquela frase como que desresponsabiliza a SAD da opção tomada, e em caso de fracasso, atira para o recrutado a responsabilidade pelo mesmo, e pela sua incapacidade para autocriticamente, avaliar as suas insuficiências.   


 


Concluindo, afastada a premissa da continuidade que justificaria a sua contratação, o maior erro terá sido o inicial. Daí em diante, o que veio, veio por acréscimo. Ou, neste caso, decréscimo.

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